Give a name to the real monster


Eu vivo diariamente com um monstro, sim um monstro invisível e mudo.

Um monstro que nasceu comigo, mas que apenas se revelou a determinada altura da minha vida. E foi aí, que tudo se modificou para sempre.

Uma alteração monstruosa e dolorosa, repentina e sem controlo.

Viver assim é viver de certa forma diferente, sendo diferente e por vezes, até incompreendida por ser diferente.

No entanto essa diferença começou a ser a minha imagem , aquilo que me distingue dos demais. Fácil , não irei poder vos dizer que o é , mas todos nós temos a capacidade de nos adaptamos a tudo. E foi isso que acabou por acontecer comigo, adaptei me á minha realidade.

Na maioria das vezes e perante determinadas pessoas tornei me um pouco arrogante , mas por uma questão de sobrevivência, por uma questão de me proteger melhor perante pessoas maldosas e invejosas , que ao terem conhecimento da minha saúde apenas me causam ainda mais problemas e tentam incutir me o sentimento de culpa.

Como é possível alguém ter culpa de ter uma doença complicada , como por exemplo a minha?

Pois , meus caros são nestas alturas que todos aqueles que nos possam rodear se revelam , e eu passei a ver quem sim , quem não e quem nunca.

Já mencionei em posts anteriores , que a última vez que estive numa grande batalha pela minha própria vida , vai fazer dia 18 deste mês precisamente quatro anos , que novamente me apercebi o quão vis as pessoas podem ser, pois enquanto eu lutava num bloco operatório por sobreviver, uma conspiração com planos para o futuro sem a minha existência , delineava se cá fora.

Horrível , verdade?!

Foi e é algo que por vezes ainda me magoa um pouco , pois a minha luta sem culpas deveria ser apenas com o linfoma que tenho dentro do meu organismo, mas não foi bem assim.

Sim , o meu monstro tem um nome e dá se pelo nome de Linfoma , que para os que possam não saber o que é , é um cancro nos gânglios linfáticos. Acreditem que não está a ser muito fácil dar a conhecer esta parte da minha vida , mas creio que é chegada a altura de dar o nome verdadeiro ao meu “monstro”. Sem nunca ter pretendido que tivessem piedade e até de certa forma, para evitar nunca quis expor esta parte , pois detesto o sentimento de pena.

A minha doença faz de mim uma pessoa diferente apenas no sentido de ter uma saúde mais fragilizada , nunca a utilizei como utensilio de manobra , nem como desculpa para nada, muito pelo contrário , sempre fiz e continuo a fazer a minha vida sem dar importância á maioria das restrições que me são impostas. É um dos motivos que faz com que me sinta orgulhosa de mim mesma , pois quando olho para tristes figuras que se lamentam ou que de vez em quando duvidam do meu estado de saúde , empestando aminha vida com problemas , é a emoção que sinto …Orgulho.

Acho que qualquer doença que não tenha cura é assustadora , mas foi como mencionei num paragrafo anterior , adaptamos nos e tentamos sempre um tratamento , mas dificultarem nos a vida com malicia ou com opiniões não solicitadas , chegamos a uma determinada altura em que rebentamos ! Foi isso que me aconteceu, estourei !

E o estrago foi maior do que alguma vez a minha doença fez , pois cheguei ao ponto de perder o amor pela minha vida e de me questionar várias vezes se não seria melhor terminar com ela , terminar com o problema , eu. Tudo culpa minha , pois deixei me convencer disso , que era um problema ao invés de ter um problema , quando sempre dei opção a todos , a única que tinha que viver e aprender a lidar com a doença era eu. E foi precisamente essa indignação que me levou a um esgotamento total, querer fazer o melhor e esse melhor não ser o suficiente!

Talvez quem sabe um dia cheguem a compreender o que é ser diferente não por opção , mas porque assim tem que ser. Hoje consigo vos dizer que a maioria dos meus dias são mais positivos que negativos, e que todos os dias me empenho em ser melhor que no dia anterior , mas também vos posso afirmar que uma parte de mim, a parte emocional sofreu alterações e as quais não pretendo abdicar, pois funcionam como uma proteção.

Esta é a total verdade sobre quem é a Carla Milho , a pessoa diferente que todos os dias escreve aqui nesta plantaforma.

Obrigado a todos os que lêem e apreciam o meu blog, vemos nos no meu próximo post até lá um bem haja a todos vós! 🌹💖

4 comentários

  1. I hate cancer. My best friend baby sister died of cancer on Friday. 51 years old. She was youngest of eight children. Good health and a new day. A blessing dear Carla. I hope you live to be 99 and always healthy and strong my dear friend.

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