Camões


Nem tenho versos, cedro desmedido

Da pequena floresta portuguesa!

Nem tenho versos, de tão comovido

Que fico a olhar de tão longe tal grandeza.

Quem te pode cantar, depois do canto

Que deste a pátria, que to não merece?

O sol da inspiração que acendo e que levanto,

Chega aos teus pés e como que arrefece.

Chamar te génio é justo, mas é pouco.

Chamar te herói, é dar-te um só poder.

Poeta dum império que era louco,

Foste louco a cantar e louco a combater.

Sirva, pois, de poema este respeito

Que te devo e professo,

Única nau do sonho insatisfeito

Que não teve regresso!

Poema de Miguel Torga.

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